23 de novembro de 2011

PLUMA


Quando o corpo se separa da cabeça
Um se move automaticamente
Já conhece as ruas, as pedras, as curvas
O outro paira sobre o primeiro
Não sabe onde está nem pra onde vai
Não está ali
Flutua qual pluma leve em brisa de verão

6 de novembro de 2011


Ela correu de nós faz já algum tempo. Saiu por aí desembestada e sem rumo. Mas deixou nossas memórias e as melhores palavras. Não mandou notícias, nem por carta ou telefone.

Ainda ouvimos histórias sobre ela, pequenos lampejos de sua existência aqui e ali. Nos deixamos enganar vez por outra com a imagem de sua volta. Braços abertos, um largo sorriso no rosto, e tudo será como antes. Ainda não. Não hoje e talvez não seja amanhã.

Ela pode voltar pra sempre ou se perder pelo mundo definitivamente, pode nos visitar de vez em quando, matando um pouco da saudade e deixando o resto.

Vamos esperar por ela eternamente. Como um amor do qual não se pode esquecer. Estaremos ligados para sempre, se não no futuro, certamente no passado.

Não reconheça mais as coisas daquela alma de outrora, a minha própria, meu plasma enrijecido agora se tornou. Ainda não sei se sou esse novo ou apenas o de antes mera fase ilustrada. Quanto mais penso, menos conclusões tiro.

Será falta de alguma substância?

8 de fevereiro de 2011

De casa velha e verão

Senti saudades dessa sacada
De sentar aqui e escutar o silêncio
Espiar os vizinhos enquanto dormem
Olhar na porta, a renda de folhas que a sombra faz
E sentir a brisa bater, se ela vier.

2 de fevereiro de 2011

Ressaca

Trocamos os papéis já no fim da peça
Por isso não tivemos aplausos
Não há recomeço nesse caminho em que enveredamos
E agora esse silêncio incômodo
que diz muito mais do que gostaríamos
Saímos aos tropeços de tão belo castelo
que se fez de pura empatia
Fomos vítimas simplesmente da vontade
ninfa tão irresistível.

27 de agosto de 2010

Tao

Procurei hoje pelo livro Tao Te Ching para presentear meu irmão. Devo admitir, tenho o velho hábito de me aprofundar demais em livros que não serão meus - uma vez cheguei até a ler um dito cujo, que não tive coragem de dar porque ficou com cara de "lido". Acho que não vou comprar o Tao pra mim porque sou mais dada a romances, esquisitos, clássicos e dramalhões, mas resolvi colocar aqui alguns trechos que se destacaram à primeira vista (perdão pelo esquartejamento da poesia) e que ainda estão fazendo funcionar minhas engrenagens até agora:

"Seja quadrado sem corte
Seja honesto sem humilhar
Seja reto sem abuso
Seja luminoso sem ofuscar"
...

"Palavras confiáveis não são belas
Palavras belas não são confiáveis
Quem sabe não é abrangente
Quem é abrangente não sabe
Quem é bom não discute
Quem discute não é bom"

...

"Saber do não-saber é sublime
Não saber do saber é doença"




Não é coisa nova. Me parece que foi escrito há cerca de 2600 anos atrás. O que comprova o fato de que os homens costumam viver numa fita de Möbius, dando voltas sem sair do lugar. Mas não cansa lembrar o que vivem a esquecer...

25 de agosto de 2010

"O couro que recobre a carne não tem planos..."

Mas eu sim! E aí é que o bicho pega...

24 de julho de 2010

Eletroválvula da partida fria (parece nome de peça de teatro experimental, ou de alguma banda de rock), é a peça que impede meu carro de pegar pela manhã quando está muito frio.

Achei bem parecido comigo nas manhãs chuvosas. Acho que vou dar uma chance à ele!

Da série mundo cão

"Ando com a minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se importa com a minha aflição..." (fabuloso Chico Buarque)

Sinto que o mundo anda cada vez mais louco: crimes bárbaros motivados por coisas fúteis, ódio e intolerância religiosa, guerras infindas no Oriente, pedofilia em larga escala, indivudualismo generalizado, grandes desastres naturais acontecendo e muito mais. As pessoas não tem mais valores, algumas nem sabem mais o que é isso. É muito punk! Me pergunto sempre, aonde vamos parar, pelo amor de Deus? O que cada um de nós pode fazer para tranformar essa triste realidade, além de propagar os valores que ainda temos?

Isso é coisa muito séria, não sei se é a roda da vida girando que nos levará novamente à barbárie, ou se é para sermos varridos aos poucos desse planeta mal tratado. Fico apreensiva.